A FIGURA DO SENSEI
Em homenagem ao Dia do professor.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

10. A FIGURA DO SENSEI


Osu!

Em homenagem ao Dia do Professor, falaremos da figura mais importante em nosso percurso no aprendizado do Karate-dō, o Sensei.

A Figura mais importante do Dōjō

Dentro de um Dōjō, o Sensei é a figura de maior referência para os estudantes, seguido em ordem pelos karateka mais graduados. Sua importância nunca poderá ser explicada em poucas palavras, ainda mais se remetermos à importância cultural que essa figura possui no Japão e outros países orientais.

No Ocidente é comum os interessados buscarem uma arte marcial para praticar, percorrendo as diferentes academias e clubes até encontrar uma de seu agrado e de acordo com sua condição financeira. Infelizmente, tal conduta instaura o pensamento de que nós teríamos escolhido treinar com aquele Sensei. No que se refere às artes marciais, esse pensamento não poderia estar mais distante: na verdade, o Sensei é que nos permitiu assistir suas aulas e aprender com ele, nos aceitando como discípulos. Isso, claro, vai contra toda a lógica de mercado de oferta e procura, cada vez mais forte nos dias atuais. Para entender mais a fundo esse conceito, precisamos nos ater à cultura de origem do termo Sensei, a japonesa.

O Sensei, o Budō e a Cultura Japonesa

Muitas vezes confundido com “mestre”, a palavra Sensei [先生] siginifca, literalmente, “aquele que nasceu primeiro”, e é usada para designar diversos tipos de profissionais, dentre eles os professores e instrutores nos diversos campos de conhecimento. Aí entra o que considero a beleza da língua japonesa, pois compreender essa tradução é vital: o entendimento de que alguém veio antes de nós, ou seja, que domina o assunto em questão por possuir maior experiência e aprendizado é mais significativo do que meramente chamá-lo de professor. Isso faz com que sua figura seja envolvida em uma importância maior do que a mera palavra encerra.

Dentro da cultura japonesa não há como medir a importância dos professores em seu sistema educacional (seja na educação formal ou não). Por isso existe um débito dos alunos para com seu professor, enquadrado dentro do que é chamado de “On” [恩]. Esse termo não possui uma tradução exata em sua essência, mas pode ser compreendido como débito ou obrigação. Trata-se, puramente, do senso de lealdade e devoção que uma pessoa tem com alguém, como seus pais, professores ou para com o próprio Imperador. É uma espécie de dívida que nunca poderá ser paga, pois é inestimável e de valor incalculável, instaurando assim o respeito a essas figuras importantes. No caso dos pais, trata-se de terem lhe dado a vida e os meios de sustento, por exemplo.

O On referente ao professor é específico, sendo conhecido como “Shi no On” [師の恩]. Ele engloba a sensação de obrigação e lealdade que o aluno tem para com quem lhe ensinou. Como a transmissão de conhecimentos é algo que não pode ser meramente medido e é um processo que ressignifica a vida de quem aprende, é algo de grande valor e que sempre deve ser reconhecido como uma dádiva oferecida pelo professor. Por isso, o On é aplicado aqui, atribuindo ao professor a real importância social e cultural que lhe é devida.

Da mesma maneira, ter o título de Sensei implica em uma carga sobre aquele que se dispõe a ensinar. Socialmente, não lhe seria permitido desconhecer assuntos de sua área de domínio; no caso, um Sensei de Karate-dō deve dominar o estilo que se propõe a ensinar. Assim, o Sensei procura sempre cultivar seus talentos pessoais, adquirindo enriquecimento cultural e técnico, aprimorando-se através dos valores e de sua devoção à formação dos alunos, pois a verdadeira educação provém do exemplo. Trata-se de um compromisso firmado pelo Sensei ao escolher desempenhar este papel, que não pode ser negligenciado.

A relação Sensei (professor) e Deshi (aluno) foi e ainda é a base do ensino das artes marciais japonesas, ou seja, do Budō. Existente desde tempos indetermináveis, essa figura era e continua sendo a principal na passagem de todos os conhecimentos práticos e teóricos nas artes marciais, além de passar valores que promovem a construção do bom caráter nos indivíduos.



Um Dívida que Nunca Será Quitada

O Karate-dō possui grandes nomes em sua história que desempenharam o papel de Sensei, como Gichin Funakoshi, um dos principais introdutores dessa arte marcial nas escolas de Okinawa e no Japão, seguido por outros nomes de grande importância, os quais são tantos que não temos como fazer uma breve lista. O importante é que mestres mais recentes continuam os trabalhos ensinados por seus Sensei, agregando cada dia mais valor ao Karate-dō; esta é, talvez, a única forma de honrar aqueles que vieram antes de nós.

Osu!

Brandel Filho [ブランデル フィリオ]

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Dedico este texto a todos os Sensei que já me aceitaram como discípulo na arte do Karate-dō, seja por breves momentos ou longos períodos, em especial Décio Tatizana (meu primeiro e mais importante Sensei, cujos ensinamentos me esforço para colocar em prática), Tiago Frosi, José Maria Só Rodrigues e Denis Andretta. O que aprendi e/ou continuo aprendendo com vocês sempre ficará marcado.

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DICIONARIO RÁPIDO
Deshi [弟子]: Aluno.
Dōjō [道場]: Local do Caminho
Karate-dō [空手道]: Caminho das mãos vazias/do Vazio
karateka [空手家]: Especialista (estudioso) do Karate
On [恩]: Reverendo / pode ser entendido como uma obrigação, lealdade.
Osu [押忍]: cumprimento/saudação sem tradução específica
Sensei [先生]: “Aquele que veio primeiro” / termo utilizado para designar professores no Japão.
Shi no On [師の恩]: Em favor do professor/ Reverendo em favor do professor.
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REFERÊNCIAS
BENEDICT, Ruth. O Crisântemo e a Espada: padrões da cultura japonesa. Coleção Debates – Antropologia. São Paulo: Perspectiva, 1972.
MICHAELIS. Dicionário Prático de Japonês-Português. São Paulo: Melhoramentos, 2003.
MICHAELIS. Dicionário Prático de Português- Japonês. São Paulo: Melhoramentos, 2001.
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