A FIGURA DO SENSEI
Em homenagem ao Dia do professor.

KARATE-DŌ NOS JOGOS OLÍMPICOS?
Mais uma vez na corrida pela vaga nos Jogos Olímpicos.

KUMITE, O TERCEIRO PILAR
Clique e confira mais sobre esta prática dentro da arte marcial.

domingo, 27 de maio de 2012

9. KARATE-DŌ NOS JOGOS OLÍMPICOS?





Osu!

Muito tem se discutido atualmente sobre o possível ingresso do Karate-dō nos Jogos Olímpicos de Verão de 2020 e o que pode surgir de bom ou ruim disso. Vamos hoje tentar discutir aqui vários pontos sobre isso, incluindo o processo que vem se desenrolando nos últimos anos sobre o assunto. Já aviso que ninguém sairá daqui com respostas e certezas, pois como todos sabem, a proposta do MDV é discutir o Karate-dō permanentemente, pois é um tema que nunca se esgotará.

Como assim, “entrar nas Olimpíadas”?

Como muitos devem saber, é possível candidatar uma modalidade esportiva nova para participação nos Jogos Olímpicos, com uma proposta apresentada por órgão pertinente do esporte e reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), como uma Federação, por exemplo. Esse processo é demorado e requer grande investimento da instituição, pois existem diversos concorrentes para essas vagas.

É importante salientar que para um esporte novo entrar, outro deve sair. Isso permite que exista um revezamento entre as muitas modalidades e não sobrecarrega a organização do evento.

E onde entra o Karate-dō nisso?

O Karate-dō já é reconhecido pelo COI como um esporte olímpico, sendo possível se candidatar para os Jogos de tempos em tempos. O órgão responsável por essa gestão, reconhecido atualmente pelo COI, é a World Karate Federation (WKF). Existem ainda muitas outras instituições a nível mundial que regem o Karate-dō (WUKF, WUKO, etc.), mas estas não fazem parte do COI. O Karate-dō já concorreu para os Jogos de 2012, processo no qual ficou atrás das finalistas Rugby e Golfe. Agora os responsáveis organizam nova campanha para uma nova tentativa.

Mas porque não entrou da outra vez?

Algumas barreiras ocorrem para que o Karate-dō não tenha entrado ainda no quadro de modalidades dos Jogos, como: (1) variação muito grande de estilos, o que dificulta uma avaliação precisa por parte dos árbitros, por exemplo; (2) modalidade menos representativa em número de praticantes federados, ao compararmos com os concorrentes; (3) politicagem, é claro. Se estas são justificativas válidas, isso é outra discussão, mas foram algumas das mais difundidas na época.



E dessa vez, porque seria diferente?

Para entrar na edição dos Jogos de 2020, estão concorrendo: Beisebol, Escalada, Karate-dō, Roller Sports, Softbol, Squash, Wakeboard e Wushu. Dentre essas modalidades concorrentes, Beisebol e Softbol já fizeram parte e almejam retornar ao evento. O diferencial desta vez é que Tóquio é uma forte concorrente para sediar os Jogos Olímpicos. É comum que a modalidade nova tenha suas raízes culturais no país-sede, que é o caso do Karate-dō.

Legal! Então, vamos poder ver as competições de Kumite e Kata a nível olímpico?

Não. A WKF achou melhor incluir apenas a disputa de Kumite em sua proposta para 2020, ou seja, sem disputas para os atletas especialistas em Kata.


Quais as vantagens e desvantagens de entrar nos Jogos Olímpicos?

Hoje o Karate-dō já é reconhecido como a arte marcial mais praticada no mundo, com mais de 40 milhões de praticantes espalhados pelo globo. Infelizmente isso ainda não é muito forte em diversos países, com pouco investimento financeiro e até da mídia (a exemplo do Brasil). Com o ingresso nos Jogos a modalidade passa a adquirir maior visibilidade e, por consequência, poderá ocorrer um aumento no número de praticantes. Investimentos em artes marciais na escola e projetos sociais podem receber maior reconhecimento e investimento, dentre outras coisas.

Claro, há sempre os pontos negativos.

Muitas vezes, ao entrar para os Jogos Olímpicos, perde-se certas características culturais. Isso ocorre, na verdade, para que a modalidade se insira na proposta do evento. No caso do Karate-dō serão abolidas as competições de Kata. Se levarmos em consideração que o Kata é uma das práticas mais significantes dentro do Karate-dō (para não dizer a MAIS significante), isso se torna uma perda cultural muito grande. Afinal, por muitos e muitos anos, o único método de ensino da arte foi através do Kata. Além disso, se apenas o Kumite for disputado, a prática do Kata dentro da própria aula em certos locais pode perder importância, pois não teria “propósitos esportivos”. Isso ocorreu de forma parecida com o Jūdō e o Taekwondo, quando ingressaram.

E como vai funcionar para os atletas?

Caso seja incluído nos Jogos, o órgão responsável pela administração dos atletas será a WKF, ou seja, os atletas terão de ser registrados lá. Como há grande disputa política entre as federações, essa será uma discussão posterior, pois pelas leis atuais dentro do esporte (mais especificamente no Brasil) a participação é um direito de todos, e as organizações terão de se adequar a isso.

Considerações...

Sem dúvida muitos benefícios podem vir da entrada do Karate-dō nos Jogos Olímpicos. Com pessoas capazes e uma boa administração isso só enriqueceria a nossa arte marcial, pois atrairia mais praticantes, maiores investimentos em espaços de treinamento e até estudos acadêmicos, dentre muitas outras coisas. Eu, particularmente, acho que a competição de Kata é uma característica muito importante do Karate-dō enquanto esporte e um desperdício não entrar junto da modalidade nos Jogos, mas é algo talvez necessário para tanto. O importante é cuidar para que não se perca a cultura que permeia o Karate-dō em favor apenas da competição no mundo dos anéis.

O resultado será divulgado em 07 de setembro de 2013, data também da definição da cidade-sede entre as candidatas: Baku, Madrid, Istambul, Doha ou Tóquio. E a sua opinião sobre o assunto, que tal postar nos comentários?

Osu!

Brandel Filho [ブランデル フィリオ]

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DICIONÁRIO RÁPIDO
Jūdō [柔道]: Caminho suave
Karate [空手]: Mãos vazias/do Vazio
Karate-dō [空手道]: Caminho das mãos vazias/do Vazio
karateka [空手家]: Especialista (estudioso) do Karate
Kata [形]: Forma
Kumite [組手]: Encontro de mãos (combate)
Osu [押忍]: cumprimento/saudação sem tradução específica
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REFERÊNCIAS
IOC, International Olympic Commitee. Carta Olímpica/Charte Olympique. Tradução: Comitê Olímpico de Portugal. Lisboa: fev. 2003.
MICHAELIS. Dicionário Prático de Japonês-Português. São Paulo: Melhoramentos, 2003.
MICHAELIS. Dicionário Prático de Português- Japonês. São Paulo: Melhoramentos, 2001.
WKF, World Karate Federation. Portal The K is on The Way: Karate 2020. <http://www.thekisontheway.com/>. Acesso em 25 maio de 2012.
REVISTA GALILEU. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2012. Vol.1, ano XXI, ed. 250.

2 comentários:

  1. Só mais um problemazinho: economicamente encher um pavilhão não é o mesmo que encher um estádio... E quanto tempo demorariam os Jogos do Karate-dō só com Kumite? Dois dias? Seria rentável para o COI o preço desses ingressos, a publicidade e os direitos televisivos?

    Grande abraço
    Armando Inocentes
    http://karatedopt.blogspot.pt/

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  2. acho que primeiro deveriamos ver como entidade,precisamos nos organizar e parar com essas brigas de federações e aí sim planejar algo de concreto para o coi.

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